Um dia vou contar-te das formigas. São batalhadoras, sabes? Andam em fila indiana e, juntas, saem e entram dos formigueiros. Como hoje saímos e entramos em casa juntos: o avô, a avó, a tia, o tio, a mamã, o papá e a Mia, para irmos ao lago, lembras-te? Um dia vou contar-te que elas saem do formigueiro para procurarem comida, para se alimentarem e para alimentarem as formiguinhas mais pequeninas, que estão debaixo da terra. Por isso as costumámos ver de costas carregadas. Viste?
Um dia vou mostrar-te e contar-te da atenção que lhes deste hoje, no parque. Pareciam intrigar-te, as formigas. Imagino que os teus olhos – grandes e curiosos – também as tenham intrigado. E um dia vou contar-te o quão corajosas foram as formigas que saíram do formigueiro e arriscaram o escorrega, pareciam formigas diferentes, quebraram a regra, quebraram a fila. Eu não consegui ver-lhes os olhos. Viste? Um dia, se os tiveres visto, vais contar-me que estavam mais brilhantes do que os olhos das (outras) formigas.
Um dia vou contar-te que as formigas têm medo do desconhecido. Um medo que as faz não ver além do formigueiro, ou do carreiro preto sem fim que juntas formam, quando dele saem.
Mas dessas formigas diferentes uma delas subiu-te para o dedo, depois para a palma da mão; ela terá descoberto que, para lá dos pés, os homens têm mãos, mãos boas que as devolvem ao lugar onde as encontraram quando as cócegas já ganharam à curiosidade de a ver passear por partes de si. Um dia vou contar-te dessa formiga, de ti.




A Mia está como uma pequena Heidi a explorar as inúmeras surpresas que o Mundo lhe dá! É tão bom a bondade que pode existir nestes gestos de criança e que muitos de nós perdemos pelo caminho, a importância que a vida de uma pequena formiga pode ter para uma criança! Não são apenas as coisas grandes que merecem carinho e cuidado, e a sensibilidade de uma criança perceber isso, é a chave para a harmonia com um Todo sem o qual não estamos completos. Os índios, costumam dizer” Mitakuye Oyasin” estamos relacionados com tudo o que nos rodeia.
Fotografias dignas de um conto de fadas, que aliás no vosso caso, se concretiza e um texto mais uma vez lindíssimo, bons reencontros e abraços
Daqui mando um beijinho *
Sim, sempre achei que a vida se faz de pequenas coisas, que preenchem o quotidiano, faz-se de dias normais que se tornam especiais por um gesto, uma palavra, um sorriso ou a partilha de uma história, de uma lágrima, quando assim tem de ser. As crianças são muito boas nisso. Gasset também dizia: ‘Eu sou eu e as minhas circunstâncias’ e juntamente com os índios, parece-me igualmente acertado.
Recebo o beijinho, que retribuo com igual carinho.
Que linda forma de contar a história de uma formiga aventureira que, um dia cheio de sol, resolveu romper barreiras e subir no dedinho mais lindo que encontrou e que hoje, dentro do formigueiro está a contar à sua família de formiguinhas como conseguiu sair viva desta sua aventura porque umas mãos pequeninas (presumo que para a formiga seriam enormes) não a esmagou mas gentilmente a colocou em sítio seguro!!! No reino das formigas essa história já é famosa!!! E chama-se “A princesa que não mata formigas”!!!
Um beijo enorme para os meus três amigos lindos!!!
Querida Anabela, quase podias continuar a história, agora a partir das formigas, no regresso ao formigueiro. Será que terão regressado? Acho que depois de descobrirem um bocadinho do que lhes tinham escondido até então, quiseram aventurar-se:), e gostei tanto do título, forte e acertado, que lhe deste.
Um beijo, dos gigantes.