Na acalmia do Vale do Rio


Entre rio e serra: aqui os pulmões expandem-se numa respiração que se alonga, na vontade de guardar cá dentro o verde-natureza que se mostra entre timidez e valentia.

Estamos no Hotel Rural Vale do Rio, é do rio Caima que se trata, e tudo começou com a mini-hídrica que aqui mora desde os finais de 1800. A ela se deve a sustentabilidade deste eco-hotel que sabe, como poucos, aproveitar e explorar as várias energias renováveis.

Há uma simbiose singular entre o verde – que quase adentra o hotel e o abandona mesmo à porta – e o castanho dos troncos que se estende pelas suas varandas e terraços.

Juntamos-lhe o azul-água que ganha a piscina e o arco-íris que pinta o parque infantil e além de um hotel amigo do ambiente temos um hotel que conquista facilmente as crianças e lhes rouba sorrisos em troca de descidas de escorrega e brincadeiras que juntam pais e filhos, quando os primeiros relembram a infância e ensinam os mais pequenos a jogar à macaca.

E entre spa, sauna e jacúzi, entre mergulhos e pirolitos e saltos à macaca nos engana o relógio, que não damos pelo tempo passar, mas nos ganhámos uns aos outros.
Na sala de convívio os espaços dividem-se e complementam-se, de um lado a parede de pedra rústica, do outro o coração, num poema de Fernando Pessoa e ela, ora compenetrada entre o seu primeiro jogo de bilhar, ora saltitante entre os adereços que a transformam em senhor de laçarote ou senhora de lábios pintados.

– E se aprendêssemos a fazer pão?
Mas o Sr. Miguel já o tinha amassado e colocado no forno a lenha, com a sua grande pá – descobrimo-lo assim que chegamos ao Parque Temático Molinológico de Oliveira de Azeméis. Mas conseguimos ver os cereais e explicar à Mia como funciona a engrenagem da moagem, que aqui tem mais de dois séculos de história. Ela quis espreitar o forno, tocar o pão, pegar na pá e na peneira para ver a farinha cair enquanto as mãos se cobrem de branco.

As energias (as nossas ) foram repostas em pratos que conciliavam os sabores tradicionais com o requinte, enchendo olhos e palato, se estiverem por perto vão ao Restaurante HC (Hídrica do Caima), entrem, e com o menu na mão fechem os olhos, talvez isto vos facilite a tarefa de escolha. Na memória trazemos o polvo assado e as plumas de porco preto, sem esquecer a tábua de queijos e as sobremesas.

E assim se contam estes dias: em histórias na ausência da avidez da última página. Que importa chegar primeiro ao fim se, no caminho, tivermos sido engolidos pela pressa, pela correria dos dias, pela altivez do relógio (tantas vezes o relógio dos outros)?

E se trocassem os relógios pelos moinhos, as rodas dentadas e os ponteiros pelo tempo a ser contado no atravessar da moega, pela passagem nas mós – movente e dormente; o tempo a ser água, a água da levada, que sabe sempre o caminho certo e quando parar?

Vá, pare, dê-se esse tempo.

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Convite do Hotel Rural Vale do Rio ao blog Menina Mundo.


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