Sempre que olho: o mundo e o vejo (realmente), percebo o grande que é. E nós: parte (pequena). Cabemos inteiros numa rua estreita: são quilómetros de rua para uns centímetros de pés. Mas de nada serviria à rua – ser rua – se não fossem os pés que por lá passam e fazem dela aquilo para que se fez.
Sempre que olho para mim (e em mim cada um de nós, de vós), e me vejo, percebo o quanto sou pequena – quando lembro o tamanho do mundo – e sei que caibo (toda) numa rua estreita.
Sempre que olho para nós e para o mundo, e nos vejo (realmente), percebo o quanto somos grandes: com sonhos que não cabem numa casa, nem no castelo lá no alto. Sonhos que não se calam entre paredes e se repetem em eco (dentro e fora: de mim, de nós) para nos lembrarmos deles – que nos lembram sempre de nós. Sonhos que não nos cabem no corpo: que é apenas corpo, e os sonhos são feitos de outra matéria, que se escapa pelos poros e se infiltra por todas as partes – como o suor a escorrer num dia quente; como a respiração ofegante que não sabemos acalmar; como a pele enrugada depois de um banho quente e longo; como as lágrimas que caem sem fim depois da notícia mais triste e como as gargalhadas fartas, depois da mais feliz. Gargalhadas como as tuas: que atravessam paredes e tempo; que correm campos inteiros e se espalham pelas searas de trigo (que os contam umas às outras), mais longe do que os nossos olhos podem saber e os nossos ouvidos podem acompanhar.
E é pelos sonhos que vale a pena correr, como corre uma criança, na pressa da vida, com os pés em atropelo, sem certeza de onde os vai pousar – mas na certeza de que o pé já não toca o chão e esse terá de se refazer, abaixo de si – no tempo de uma passada apressada. Enquanto tu corres e me sabes correr atrás de ti – ao ritmo das tuas gargalhadas – o meu chão também se refaz: mais forte. E quando te toco somos maiores que o mundo e (inteiras) já não cabemos na rua estreita, pequena para nos guardar.
A mesma rua estreita serviu de berma de amamentação e levou-nos às vacas, no dia em que ela disse: Menina Mundo



























Esta sequência de fotos foi de tirar o fôlego! Ver a pequena correr, sem medo, sem saber ao menos que poderia cair; e ver a mãe, correr em sua direção, sabendo que poderia cair, mas também sem medo, faz-me pensar que a corrida dos sonhos (e da vida) é mesmo isto: um correr sem medo. Um ir “com medo mesmo”. E mais: um aproveitar dos poucos passos que se dá. Quando corria, a pequena olhava ao chão, sem um ponto certo de chegada, valorizando o simples avançar e trocar de pernas. O pouco que avançava era o muito, ou o tudo, que seus pezinhos alcançavam e deixavam pra trás: os passos eram mais importantes que a distância ou a chegada.
Nesta largada rumo aos sonhos, os objetivos nos são tão desejados, que esquecemos que nos pequenos passos eles também moram. Afinal, qual seria a graça de olhar pra trás se os nosso maiores desejos estivessem numa distância daqui à ali?
Grande e lindo texto, professora. Mensagem bonita que inspirou-me a valorizar os meus pequenos passos. A fracionar o caminho e comemorar no avançar de seus pedaços. Um beijinho à família que, de passo em passo, percorrerá a imensidão do mundo.
Luísa, lembro-me que, num post anterior, comentou connosco uma frase que a sua irmã lhe disse: ‘e se sentir medo vá com medo mesmo’, e disse-lhe (e repito), ela tem toda a razão. Ir é já darmo-nos um mundo de possibilidades, de oportunidades, de concretizações (face ao desconhecido). Ir é sempre o primeiro passo e é passo a passo que se constrõem caminhos. Bons (pequenos) passos, para esta semana*
As fotos estão tão bonitas! Começam com o presságio que vai ser um conto de fadas porque um castelo assim nos leva a pensar, e o final que culmina num abraço leva-nos mesmo a acreditar que como disse uma vez Carl Sagan que somos feitos do pó das estrelas, daí a nossa capacidade de sonhar sempre tão alto, daí ansiarmos a imensidão apesar de tão pequenos! E os vossos passos extravasam todas as ruas e todas as medidas porque procuram sempre uma estrada maior, um caminho mais ousado!
Adorei tudo, e a parte das vaquinhas esta tão amorosa! A Mia tem um olhar tão compreendedor de tudo!
Parabéns por continuar a amamentar, eu também assim o faço já lá vão quase 3 anos =P mas é um Miminho tão bom e os olhinhos deles de repente ficam tão doces enquanto nos olham!
Um beijinho muito grande e boa semana, obrigada por mais esta história com um sabor mágico bem ao estilo dos irmãos Grimm, estou sempre à espera de em qualquer canto da fotografia me aperceber de uma fadinha ou um gnomo travesso 🙂
Raquel, e somos: de pó de estrelas e de cordas de violino, como diria Cesariny. Por isso, se nos dermos essa liberdade do sonho, nem a estrada da mais larga cidade nos poderá guardar as asas.
Parabéns também, três anos é um marco gigante, por aqui tem sido um processo tão natural quanto respirar, o que é uma dádiva porque sei ser uma luta grande para muitas mães. É uma partilha maravilhosa.
Um semana cheia de momentos encantados.
Fico sempre deslumbrada com as tuas palavras! Aquele deslumbramento que nos provoca a sensação de que o amor é o sentimento mais forte do mundo e nos dá tudo o que precisamos e que a alegria vem dele, desse amor tão vasto que abrange todo um universo de sentimentos! Como eu gosto de vocês! Como eu gosto dessas maravilhosas fotografias do Papá da Menina Mundo. como eu gosto desses sorrisos, lindos e mágicos, que tu nos dás através da tua fantástica lente, fantástica porque eu acho que essa lente não é uma lente qualquer porque consegue captar as gargalhadas (eu consigo ouvi-las!!!) e a magia de quem se ama muito!!! Na nossa vida as pessoas acontecem e vocês aconteceram na minha e eu não podia estar mais feliz!!! Obrigada amigos beijo enorme Mia, Miriam e Nelson!
E vem mesmo, o amor é sempre a melhor solução. E como nós gostamos (tanto) de ti. ‘Só se vê bem com o coração’, eu acho que o papá(marido)-mundo põe essa lente quando nos fotografa e consegue guardar sorrisos, gargalhadas, rodopios de amor. Felizes por nos ‘teres acontecido’ e te teres mantido bem juntinho de nós. Um beijo de todos, de cada um de nós.
“A maioria das pessoas não quer realmente a liberdade, pois liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade.”
―Sigmund Freud
Quanta verdade, Maria. Poucos conhecem Freud para além dos seus trabalhos da libido ou do histerismo feminino.
Máxima liberdade, máxima responsabilidade, será sempre assim: as asas têm esse peso, e há quem prefira não voar.
Um beijinho, Maria.
Magníficas fotos!!! O nosso Mundo está mais cheio, luminoso, ternurento e quase completo. Agora temos o Mundo e a Menina que nos faz sorrir a cada dia! Voa Menina nos braços da Mamã e Papá Mundo !
Que delícia de palavras, Né (posso tratá-la assim não posso?). Um beijinho da família mundo 🙂
Vocês cabem no Mundo…..e o Mundo cabe em vós! E cada um de nós, que vos lê e respira convosco cabe no Mundo e o Mundo cabe em vós……
Que bem me soube relembrar corridas vividas, passos caminhados, sucessos alcançados pois como alguém me disse um dia ” nós fazemos pequenas coisas, e um dia ao olharmos para trás veremos que pequenos passos se tornaram num longo caminho”…..
Caminhem, corram, voem e…..partilhem porque nós cabemos no Mundo e o Mundo cabe em vós.
Joana, que curioso, ontem enquanto caminhávamos os dois, mãos dadas na berma do lago, falávamos disso: só perceberemos a (real) dimensão do que estamos a fazer no momento lá na frente (referindo-nos ao desmedido retorno que tenho recebido dos meus alunos da FDUP pela minha passagem na história deles).
Continuaremos a caminhar, a correr, a voar, na certeza de que há uma rede bem segura a apoiar-nos: no voo ou na queda. Tu és parte.